terça-feira, 22 de março de 2011

Unidade I - O tempo das Ciências Naturais e o tempo da História

1.    Os historiadores e o tempo:
Apesar dos historiadores definirem sua prática em função do manejo da categoria tempo (cita o exemplo de Bloch para o qual a “história é a ciência dos homens no tempo”). pouco se reflete, em termos metodológicos sobre o uso desta categoria. Via de regra o tempo é tratado muito mais como objeto de estudo - tipo as formas como as diferentes sociedades históricas concebem o tempo, ou a dimensão cultural do uso do tempo e suas representações - . O que se deixa de lado é : “como lidar com a categoria ou o parâmetro temporal na pesquisa histórica”
Nas ciências sociais o tempo também é trabalhado de diferentes maneiras desde os tempos da economia, marcados por parâmetros teóricos (t1 e t2), passando utilização do tempo pelos geógrafos, especialistas em espaço, chegando até a antropologia estrutural que concebe o tempo como código, o consenso metodológico está longe de existir. Dentre os próprios historiadores a categoria tempo, surge em diferentes acepções
Braudel: “O tempo imperiosos do mundo”
Villar: o tempo como um produto da História(jogo das relações sociais no seio das estruturas.
2.    O tempo dos físicos e dos filósofos:
Mudanças no quadro científico e filosófico do século XX, associado às teorias da relatividade e ao desenvolvimento da física quântica, transformam substantivamente a elaboração da categoria tempo que de “absoluta” passa a ser “relativa”.
a) O tempo como uma categoria absoluta:  dominada pelas concepções newtonianas, se estende desde fins do século XVII até final do XIX. A passagem do séc. XIX para o XX seria considera da de transição.
FISICA l: Tempo absoluto desvinculado da matéria: “substância especial imutável, autodeterminada, ontologicamente independente da matéria, de estrutura uniforme em todo o universo, caracterizada por pura duração
FILOSOFIA: Discussões sobre o tempo estiveram presente entre as correntes de cientistas e filósofos do século passado. Dentre estas três se destacam tanto pela sistematização como pela coerência das idéias.São eles Emmanuel Kant (1724-1804); Henry Bergson (1859-1941) e o marxismo.
Kant: tempo e espaço se definem como formas apriorísticas da percepção sensorial, seriam considerados elementos inatos do sistema cognoscitivo. Antecedem e existem independentemente de qualquer conteúdo.
Bergson: Sua idéia fundamental era que o tempo real tem como essência a pura duração, decorrente da continuidade da vida interior do indivíduo. (...) a duração é subjetiva imanente a consciência.
Marxismo: Relacionado ao período de transição ao século XX, quando as questões sobre a matéria e movimento já faziam parte do elenco de debates científicos. Para o marxismo tempo e espaço são formas de existência da matéria em movimento. “a existência do tempo se vincularia à transição do ser ao não ser e vice-versa, ao aparecimento do que é qualitativamente novo, desaparecimento e transformação das coisa e estados”(p.29).
b) O tempo como uma categoria relativa: ligada à mecânica quântica e a teoria da relatividade. Abarca o século XX.
Marcos de referência para a crise do paradigma newtoniano sobre o tempo.
Teoria da relatividade exposta por Einstein entre 1905-1916.
O surgimento da mecânica quântica 1900
Conhecimento da estrutura do átomo 1911-1913.
Einstein e a relatividade: Não existe tempo e espaços absolutos. O tempo está ligado ao espaço.
Para as ciências sociais e História, em especial, a teoria da relatividade rompe com a idéia de tempo absoluto relacionando-o à matéria. Rompe com a concepção idealista do tempo propondo uma abertura para o materialismo
3.    Os problemas específicos da organização da temporalidade em História: haverá alguma relação com o que ocorre nas ciências naturais?
3.1. O tempo no trabalho dos historiadores:
Caracteriza três reflexões sobre o trabalho do historiador sobre o tempo, dentre os poucos citados anteriormente.
Sergio Bagú : propõe 3 dimensões pertinentes ao estudo dos “seres humanos organizados em sociedade” -
a) Tempo - seqüência ou transcurso
b) Tempo - raio de operações ou espaço.
c) Tempo - transformação e riqueza de combinações ou intensidade.
Para o autor a existência social se da em três dimensões com ritmos variáveis.
Robert Berkhofer Jr.: caracteriza duas dimensões presentes no manejo do historiador com a categoria - dimensão externa, o tempo físico, passível de mensuração; dimensão interna, tempo subjetivo.
O primeiro, ligado aos processos de datação, seria o tempo linear e irreversível, matemático e externo ao que acontece internamente.
O segundo é entendido como o tempo cultural, como as diferentes sociedade manejam com a categoria tempo e a concebem na sua vida social.
Estabelece 5 questões básicas que o historiador deveria atentar ao operar com a categoria tempo, a saber:
1 - a delimitação da seqüência estudada
2 - a ordem da seqüência em relação ao tempo
3 - a razão da ordem de ocorrência
4 - a localização da seqüência no tempo (por que aconteceu naquela época e não em outra; por que não ocorreu então outra coisa)
5 - ritmo da transformação durante a seqüência examinada
Escola dos Annales: relação passado presente, fim da idéia de continuidade, politização da temática histórica a partir de reflexões próprias ao tempo do historiador.
Depois de expor estes três pontos de vista sobre a operação histórica com o tempo, buscará relacionar as transformações epistemológicas no campo das Ciências Naturais com a História
3.2. Periodização: As propostas de periodização da história também são marcadas pelo debate filosófico entre convencionalistas e realistas
realistas: a periodização provém da própria natureza do objeto de pesquisa: os períodos estabelecidos de maneira adequada seriam um reflexo fiel da realidade histórica.
convencionalistas: já que a história é um devir, um movimento contínuo e ininterrupto, qualquer periodização é arbitrária, podendo justificar-se unicamente por razões didáticas ou pragmáticas.
Em geral, a postura convencionalista é criticada pelo seu viés idealista, propondo-se em substituição, uma perspectiva realista que não recaia num materialismo vulgar e estreito:
“Se o tempo é apenas uma forma de existência das coisas e não uma coisa em si, é lógico que seja ordenado segundo os conteúdos e que, assim, possa ser concebido como algo homogêneo tanto quanto heterogêneo, descontínuo tanto quanto contínuo. As diversas periodizações possíveis não se equivalem: deverão ser julgadas segundo sua pertinência em relação aos conteúdos concretos, que se trata de periodizar de acordo com algum quadro teórico”(Cardoso, 1988, p.32)
3.3 Causalidade e determinação: a irreversibilidade do tempo.
Até o final do século XIX a ciência esteve dominada por uma concepção de determinismo mecanicista. Em história o determinismo vulgar teve como representante o positivismo, que tomava como referência de tempo uma causalidade linear onde fatos encadeados explicariam a História, ou ainda, seriam a própria História. Hoje tal noção foi substituída pela noção de causalidade estrutural, onde a sociedade é concebida como um todo estruturado. Tal transformação no ponto de vista do historiador está relacionado às mudanças no paradigma científico, no século XX, através da substituição do determinismo vulgar, pela noção de probabilidade e contingência. O modelo indutivo, com forte apelo empiricista, foi substituído pelo hipotético dedutivo, cujo pressuposto é a partir de leis gerais, reconhecer e explicar os fenômenos da natureza. Em termos de conhecimento histórico trabalha-se também com a noção de abdução, ou seja, a partir da análise de indícios, aplica-se um quadro referencial mais amplo, a partir do qual os fenômenos são explicados. Importa aí a noção de possibilidade e probabilidade.
3.4 A multiplicidade do tempo histórico:
Como já foi relatado nas posições anteriores, existe uma espécie de consenso atual em considerar o tempo da história como múltiplo. Dentre estas colocações a que, até hoje, desde 1958 quando foi publicada, é a Fernand Braudel, responsável pela continuidade da Escola dos Annales depois de M.Bloch e L.Febrve. Tal concepção diz respeito aos três tempos da História, a saber:
- O tempo da curta duração, do evento, do fato.
- O tempo da média duração, das conjuntura, ciclos econômicos.
- O tempo da longa duração, das estruturas mentais, econômicas, simbólicas etc.
Discute ainda a idéia de densidade temporal, períodos de aceleração da História, etc. ligados à problematica do historiador e ao movimento das sociedades.

Resumo baseado no texto:
Cardoso, C.F.S. “O tempo das Ciências Naturais e o tempo da História”, IN: Ensaios Racionalistas, RJ, Campus, 1988, pp. 25-40.

Unidade I - História e memória

Unidade 1: História e memória

O historiador francês Pierre Nora é diretor editorial da prestigiosa editora francesa Gallimard, desde 1977 ele dirige a École des hautes études en sciences sociales, tendo sido o fundador a revista acadêmica Le Débat e ter dirigido desde 1984 o projeto editorial ‘Os lugares de memória’. Na introdução dos quatro volumes do lugares de memória, obra dedicada a história contemporânea na França, Nora discute o processo contemporâneo de extermínio de memória-história e sua substituição pelos lugares de memória. Neste processo a História, como conhecimento formulado assume o papel de mediador do passado, daí o grande interesse em se estudar a história da história. Este retorno a si próprio, este tormar-se como objeto de estudo indica a transformação da História-memória em História-crítica e a própria passagem da memória a condição de objeto de estudo da história.
Desenvolve tais idéias em três momentos:
1.    O fim da História-memória
2.    A memória tomada como história
3.    Os lugares de memória, uma outra história.

I O fim da História-memória
Aceleração da História, tomada de consciência do passado enquanto tal, fim da memória, como fio condutor da experiências sociais. Para Nora o ressurgimento dos lugares de memória significa o fim dos meios de memória: a consciência do passado como ruptura em relação ao presente, o torna objeto de conhecimento. Neste processo rompe-se com a idéia de continuidade própria à memória, no entanto a memória residual localiza-se em lugares determinados.
O fim da história-memória localiza-se, segundo o autor, no advento da sociedade industrial, acirrada pelo processo de mundialização e fim dos grupos comunais, cuja memória ainda estava fortemente calcada na tradição.
O fenomeno de aceleração da história opôs história e memória. As sociedades ditas tradicionais, pelo ritmo diferenciado, elege a memória como forma de rememorar o passado. Ao passo que as sociedade induatriais e urbanizadas, elegem a História como forma de conhecimento do passado, relegando ao esquecimento as multiplas formas de elaborar uma representação de passado, como produção de sentido social no presente. O discurso crítico sobre o passado, evolve um lugar social de produção do conhecimento histórico e um sujeito autorizado a emitir esse discurso: a disciplina histórica e o historiador cumpriram esse papel.
Memória transportada pela História: a diferença entre história e memória está no papel mediador da História. Na memória ato e sentido fazem parte de um mesmo movimento, na história o ato é interpretado pela perspectiva de um outro sentido, pleno de estanhamento e distanciamento.
Memória e História: diferenças básicas: A história se opõe a memória por ser uma operação intelectual de conhecimento. A crítica histórica destrói a memória ao torná-la suspeita, ao imputar-lhe um sentido exterior.
 O despertar da consciência historiográfica, como pode ser interpretada?
Partindo-se de uma perspectiva histórica bem própria ao XIX, a História estava calcada na busca dos elos de ligação do passado, o passado era o acontecido, o memorável, a idéia de uma memória positiva permeava a prática historiadora de antanho. Hoje, o que temos? Um passado dessacralizado, múltiplo, interpretável, calcado muito mais nos testemunho do fato do na idéia de um fato em si mesmo.
Os objetos da história da história - a idade historiográfica: “interrogando-se sobre seus meios materiais e conceituais, sobre os procedimentos de sua própria  produção e as etapas sociais de sua difusão, sobre sua própria constituição em tradição, toda a história entrou em sua idade historiográfica, consumindo sua desidentificação com a memória. Uma memória que se tornou, ela mesma, objeto de uma história possível”. (p.11)
No século XIX a prática historiadora calcava-se no trinômio: Nação, memória e história. “História santa, porque nação santa. É pela nação que nossa memória se manteve no sagrado”.
No século XX a sociedade substitui a nação. A sociedade volta-se em busca de seu passado: “com a emergência da sociedade da sociedade no lugar e espaço da nação, a legitimação pelo passado, portanto pela história, cedeu lugar à legitimação pelo futuro. O passado, só seria possível conhecê-lo e venerá-lo, e a nação, servi-la; o futuro é preciso prepará-lo.”(.12)
Os três termos recuperaram sua autonomia. A nação não é mais um combate, mas um dado; a história tornou-se uma ciência social; e a memória um fenômeno puramente privado. A nação-memória terá sido a última encarnação da história-memória.
O estudo dos lugares se direciona em dois sentidos:
1- pensar a história como lugar de memória.
2- fim da memória nação e o estabelecimento de um novo olhar, o de uma história reconstituida.
Definição dos lugares de memória: “os lugares de memória são, antes de tudo, restos. [...]. É a desritualização de nosso mundo que faz aparecer a noção. O que secreta, veste, estabelece, constrói, decreta, mantém pelo artifício e pela vontade uma coletividade fundamentalmente envolvida em sua trnasformação e sua renovação [...]. Museus, arquivos, cemitérios e coleções, festas, aniversários, tratados, processos verbais, monumentos, santuários, associações, são os marcos de testemunhas de uma outra era, das ilusões de eternidade[...]. Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque estas operações não são naturais.
Os lugares de memória na oposição memória/história: “[...] Se vivêssemos verdadeiramente as lembranças que eles envolvem, eles seriam inúteis. E se, em compensação, a história não se apoderasse deles para deformá-los, sová-los e petrificá-los eles não se tornariam lugares de memória”. (p.13)
Os lugares de memória estão associados a transformação de uma história totêmica para uma história crítrica, onde “não mais se celebra a nação, mas se estudam suas celebrações” (p.14)

II. A memória tomada como história
Discute o redimensionamento contemporâneo das palavras memória e história.
Imbricadas, quase sinônimas. Como a memória se metamorfoseou em história. Como a memória de voluntária e deliberada, de imediata e espontânea, passou a ser um fenômeno psicológico, individual e subjetiva, ao invés de social, coletivo e globalizante?
Distingue três tipos de memória: memória-arquivo, memória-dever e memória-distancia.
 a) memória-arquivo: preservação integral do presente e do passado, concede-se ao mínimo vestígio do presente o estatuto de dao arquivável, criam-se instituições de memória, tudo se torna memorável, dilata-se a materialização da memória. Produzir arquivo torna-se um dever
b) memória-dever: memória historicizada, invenção de memória através de estratégias científicas, como é o caso da História da História Oral. Uma memória que vem de fora, interiorizada como dever, não uma prática social: “A passagem da memória para a história obrigou cada grupo a redefinir sua identidade pela revitalização de sua própria história. o dever da memória faz de cada um um historiador de si mesmo. o imperativo da história ultrapassou muito assim, o círculo de historiadores profissionais[...] O fim da história-memória multiplicou as memórias particulares que reclamam sua própria história” (p.16)
c) Memória-distancia: No fim do século XIX a memória torna-se gradativamente um fenômeno individual, par e passo, ao processo de desabamento do mundo rural e das chamadas sociedades tradicionais. Cita como exemplos de trabalhos que refletem sobre a memória do ponto de vista individual: a filosofia de Bergson, a psicanálise de Freud e a literatura de Proust.

Inaugura-se um novo regime de memória, questão daqui por diante, privada.  A individualização da memória, cria um novo tipo de suporte, os homens-memória. A História-memória tomava o passado não como verdadeiramente passado, algo que com um esforço de lembrança se poderia ressuscitar, presentificar, reconduzir e atualizar. O presente o ancorava. Com a Históra-crítica o passado distancia-se: “O passado nos é dado como radicalmente outro, ele é esse mundo do qual estamos desligados para sempre.” A idéia de descontinuidade penetra na relação do homem com o passado, concedendo estatuto histórico a diferentes objetos.
Neste processo a própria percepção de quem estuda história se transforma. Não mais procuramos o igual no passado, mas a diferença, a alteridade: “Não mais uma gênese, mas o deciframento do que somos à luz do que não somos mais”. Concomitantemente, não só o passado modifica seu estatuto como o próprio historiador vê o seu papel social recolocado: passa a reconhecer o seu papel na interpretação e discutir o dado de subjetividade do conhecimento históriador. No limite do processo de fim da história-memória o homem-memória não mais existe, em substituição introduz-se a idéia de lugares de memória.

III. Os lugares de memória, uma outra história.
Constituição: “São lugares nos três sentidos da palavra, material, simbólico e funcional, simultaneamente, somente em graus diversos”. (p.21)
Os lugares de memória são frutos de uma ação consciente, de uma vontade de memória.
A função dos lugares de memória é a de reter o esquecimento.
Apresenta dois exemplos: um calendário revolucionário que não vingou e um manual de história que tornou-se recorrente à memória.
Existe uma diferenciação histórica para os lugares de memória, estes mesmos devem ser historicizados. Toda a constituição é um lugar de memória mas as diferentes constituições devem ser tratadas diferentemente como lugares de memória.
Por exemplo: os acontecimentos e os livros didáticos são lugares de memória.
Classificação dos lugares de memória: “Desde os lugares mais naturais, oferecidos pela experiência concreta, como os cemitérios, os museus e os aniversários, até os lugares mais intelectualmente elaborados, dos quais ninguém se privará; não somente a noção de geração, já evocada, de linhagem, de “região-memória”, mas aquela das “partilhas”, sobre as quais estão fundadas todas as percepções do espaço francês, ou as de “paisagem como pintura”.[...] Se insistirmos no aspecto material dos lugares, eles próprios se dispõem num vasto degradê. [...]
Apegar-nos-emos, ao contrário à dominante funcional? Desdobrar-se-á o leque dos lugares nitidamente consagrados à manutenção de uma experiência intransmissível e que desaparecem com aqueles que o viveram, como as associações de antigos combatentes, aqueles cuja razão de ser, também passageira, é de ordem pedagógica, como os manuais, os testamentos ou os “livros de razão” que, na época clássica, os chefes de família redigiam para uso de seus descendentes. Seremos nós, enfim, mais sensíveis ao componente simbólico? Oporemos, por ex., os lugares dominantes aos lugares dominados. Os primeiros espetaculares e triunfantes, imponentes e geralmente impostos, quer por uma autoridade nacional, quer por um corpo constituído, mas sempre de cima, tem, muitas vezes, a frieza e solenidade das cerimônias oficiais. Os segundos são lugares de refúgio, o santuário das fidelidades espontâneas e das peregrinações do silêncio”. (p.26)
A classificação pode ser ampliada, não há necessidade de rigidez tipológica.
Os lugares de memória se auto referecializam, são signos do passado, no seu dado material de índice: “Nesse sentido, o lugar de memória é um lugar duplo; um lugar de excesso, fechado sobre si mesmo, fechado sobre sua identidade, e recolhido sobre seu nome, mas constantemente aberto sobre a extensão de suas significações”
Objetos da história, os lugares de memória são apreendidos no imediato, mas traduzidos por uma trama teórica, por um investimento de sentido histórico.
A memória tomada como objeto da História: “nasce um novo tipo de história que deve seu prestígio e sua legitimidade à sua nova relação com o passado, um outro passado”

Nora, Pierre. “Entre memória e História: a problemática dos lugares”,IN: Projeto-História, PUC, SP, (10), dez. 1993, trad. Yara Aun Khoury, pp. 7-28
Enciclopédia Einaudi, Vol. I Memória-História, Lisboa, Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 1985.

Unidade I - HISTÓRIA E CIÊNCIAS SOCIAIS: UMA INTRODUÇÃO.

História e Ciências Sociais: uma introdução.
Em cada contexto a História se reveste de um significado específico, daí a relevância de se estudar a História da História ( como a disciplina foi se constituindo ao longo do tempo como campo de saber), estabelecer as principiais correntes que compõem o campo da  prática historiadora, compreender como esta prática está vinculada às disputas de poder em torno do controle da memória social e que, acima de tudo, uma interpretação histórica que rejeita o conflito e, tende a ver as sociedades como totalidades harmônicas, está longe de ser uma disciplina crítica e transformadora.
Além disso, é fundamental avaliar-se, para termos em conta o estado atual da oficina histórica, a relação que esta disciplina estabelece com as Ciências Sociais, a saber: Antropologia, Sociologia, Ciência Política e Economia. Além dos contatos mais recentes e menos tradicionais, tais como: a Literatura, Lingüística, a Semiologia e a Semiótica, e os já consolidados como com a Geografia  e a História da Arte.
A relação que a história estabelece com estas disciplinas também vem se modificando ao longo do tempo e, de diferentes maneiras, em contextos acadêmicos distintos. Vale lembrar, que o século XX superou a noção de ciências auxiliares da história, reforçando  este relacionamento interdisciplinar no sentido de romper com a perspectiva imperialista da história, e situar as possibilidades de contato no marco de uma discussão de caráter teórico-metodológico. Daí, atualmente, todo o debate sobre o campo da história centrar-se em propostas transdisciplinares, ou seja, mais do que uma mera colaboração entre disciplinas, ou um trabalho em equipe, o que se discute é a capacidade da história teorizar sobre seus objetos de estudo e opera-los a partir de metodologias coordenadas, como por exemplo a análise das relações sociais a partir do estudo das redes de sociabilidade tal como Antropologia propõe, utilizando-se para tanto de um aporte semiótico par se avaliar os códigos de comportamento e as representações sociais que caracterizam a distinção social entre os diferentes grupos.
Pontuar temporalmente a dinâmica deste relacionamento de disciplinas é fundamental para entender-se a própria dinâmica da escrita da história e da prática historiadora atuais.
Anos 1920/30 – Surgimento do grupo dos Annales na figura de Marc Bloch e Lucien Febvre, este último geógrafo de formação. No contexto de surgimento desta nova abordagem histórica a influência da sociologia durkheimiana e da abordagem estruturalista de George Dumézil. No Brasil a escola história manteve-se isolada deste tipo de interação limitada ao IHGB, no entanto fora do campo dos hiostoriadores tradicionais, a escrita da história se renovava com os escritos de Gilberto Freyre (antropólogo); Sérgio Buarque de Holanda (historiador) e Caio Prado Junior (historiador), buscando cada qual a sua maneira escrever uma história total das relações sociais.
Anos 1940/50 – a historiografia francesa sob a liderança de Fernand Braudel reaproxima-se da geografia e busca compreender a lógica das sociedades no marco da sua espacialidade e da longa duração. Sofistica-se a discussão sobre o tempo na história, rompendo-se com uma perspectiva linear do tempo. Neste período, a história se aproxima das Ciências Sociais, através dos area studies, grupos de cooperação disciplinar em torno de certos temas. No Brasil a história acadêmica passa sofrer forte influência da sociologia histórica da escola paulista encabeçada por Florestan Fernandes.
Ainda nos anos 1950, fora do contexto francês, zona de influência direta da cultura letrada brasileira, um grupo de historiadores progressistas, ligados ao Partido Comunista Inglês e associados aos movimentos sociais na Inglaterra, organizam as history work shops. Estes eram grupos de trabalho comunitário voltados para uma perspectiva de história fora do circuito da elite, uma história que “vinha de baixo”. Este grupo de historiadores ficou conhecido como a New left ou o grupo do marxismo britânico – dentre eles: E.P. Thompson, Eric Hobsbawn, Christopher Hill, entre outros.
Anos 1960/70 – anos de importantes transformações sociais que marcaram de forma decisiva a escrita e a prática historiadora. A história se engaja nos movimentos sociais e amplia seu universo de análise, sendo a abordagem histórica adotada amplamente por sociólogos, cientistas políticos e filósofos. No Brasil escreve-se história mais nos centros de ciências sociais do que nas faculdades de história. A abordagem histórica, bem como a pesquisa histórica, começa a ser discutida em termos da reformulação do campo historiográfico da história, movimento que se complementaria nos anos subsequentes.
Anos 1980/90 –período marcado pelo revigoramento da escrita da história que, num movimento desde seu próprio campo, passa a se utilizar de reflexões teóricas das demais disciplinas das ciências humanas no sentido de elaborar, de maneira mais adequada, o tratamento sobre os novos objetos que se colocam como relevantes. Portanto é um período que se caracteriza pela consolidação das novas abordagens, novos objetos e novos problemas.
Ao mesmo tempo, os anos noventa, principalmente a sua segunda metade foi, gradualmente, sendo dominado pelas discussões em torno da crise dos paradigmas: iluminista X pós-modernos; racionalistas X irracionalistas, etc. Debates que incluíam questões teóricas tais como: a morte dos sujeitos sociais/coletivos; o fim dos modelos de explicação holisticas; redefinição das escalas dos objetos de estudo da história; o fim das metanarrativas e a predomínio  de uma epistemologia da história de base sensivelmente idealista, pautada na possibilidade de múltiplas narrativas históricas, igualmente válidas, devido a perda na crença nos critérios de validação racionais.

Unidade I – O que é História? ou história?

Introdução aos Estudos Históricos

Unidade 1 – O que é História? ou história?

A essa pergunta a resposta não é simples, aliás a própria pergunta já implicou num desdobramento – H ou h? Qual  a diferença que a grafia da palavra implica em termos semânticos?
Podemos perceber que a resposta a uma pergunta nos remete a condição histórica que, como sujeitos do conhecimento, nos é atribuída. Portanto, uma primeira resposta a pergunta inicial nos remete a distinção entre História, como uma disciplina que tem como objeto de reflexão as sociedades humanas organizadas no tempo (Marc Bloch) e história, o próprio objeto de estudo da disciplina História, ou seja, a experiência humana projetada no tempo social. Mas temos acesso a essa experiência passada? quão distante há de ter sido vivida essa experiência para ela ser considerada histórica?
Pelo visto, a cada resposta que tentamos dar nos enrolamos num emaranhado de conceitos cada vez mais complexos, como por exemplo de tempo, experiência, sociedade, etc. Sem falar o que implica o trabalho com esses conceitos.
Além dessa distinção inicial poderíamos ir mais adiante agregando outras palavras e/ou expressões,  dentre as quais: historiografia, historicidade, filosofias da história, metodo histórico, fato histórico, narrativas históricas, fontes históricas,  epistemologia da história, etc., que com certeza não servem somente para enriquecer o vocabulário, mas que em grande medida definem um campo de conhecimento e uma atividade de produzir conhecimento.
A disciplina Introdução aos Estudos Históricos trata disso, como o conhecimento histórico é produzido hoje, como ele foi produzido no passado e quando se começa a pensar historicamente, nas sociedades ocidentais.
Portanto vamos começar pelo sentido etimológico da palavra:
 “A palavra história (em todas as línguas românicas e em inglês) vem do grego antigo historie, em dialeto jônico. Esta forma deriva da raiz indo-européia wid, weid, ‘ver’. Daí o sânscrito vettas ‘testemunha’ e o grego histor ‘testemunha’ no sentido ‘daquele que vê’. Esta concepção da visão como fonte essencial do conhecimento leva-nos a idéia que histor ‘aquele que vê’ é também aquele que sabe; historien em grego antigo é ‘procurar saber’, ‘informar-se’. Historie significa pois ‘procurar’. É este o sentido da palavra em Heródoto, no início de suas Histórias, que são ‘investigações’, ‘ procuras’  Ver, logo, saber é o primeiro problema.
Man nas línguas românicas (e noutras) ‘história’ exprime dois, senão três, conceitos diferentes. Significa:
1. esta procura das ações realizadas pelos homens (Heródoto) que se esforça por se constituir em ciência, a ciência histórica; 2. O objeto de procura é o que os homens realizam. Como diz Paul Veyne, “a história é, quer uma série de acontecimentos, quer a narração desta série de acontecimentos”. Mas a história pode ser ainda um terceiro sentido, o de narração. Uma história é uma narração verdadeira, verdadeira ou falsa, com base na ‘realidade histórica’ ou puramente imaginária – pode ser uma narração histórica ou uma fábula. O inglês escapa a esta última confusão porque distingue entre history e story (história e conto). As outras línguas européias esforçam-se para evitar essa ambigüidade. O italiano tem tendência para designar se não a ciência histórica, pelo menos as produções desta ciência pela palavra ‘storiografia’, o alemão estabelece a diferença entre a atividade ‘científica’, Geschichtschreibung, e a ciência histórica propriamente dita Geschichteswissenchaft. [...]” (Le Goff, Jacques. Enciclopédia Einaudi, Vol. 1, Lisboa, Casa da Moeda, 1985, p.158)

Dessa primeira aproximação aos significados da palavra temos alguns desdobramentos importantes: a noção de ciência histórica, a noção de narração e   as produções dessa ciência ou ainda atividade narrativa – historiografia.
Outra ideia importante que essa primeira aproximação nos traz para o significado da palavra é a de que o própria noção de que se busca um conhecimento que só o passado pode oferecer é também histórica, ou seja, muda de sociedade para sociedade. Essa especificidade da palavra história confere a ela uma historicidade, ou seja, ela possui um significado específico no tempo e no espaço.
“O Conceito de historicidade permite no plano teórico refutar a noção de sociedade sem história, ele obriga a inserir a própria história numa perspectiva histórica. De acordo com Michel de Certeau “há uma historicidade da história que implica o movimento que liga uma prática interpretativa a uma prática social”. [...] Finalmente Paul Veyne tira uma dupla lição do fundamento do conceito de historicidade. A historicidade permite a inclusão no campo da ciência histórica de novos objetos da história: a história rural, das mentalidades, da loucura e da procura da segurança através das épocas. Chamaremos pois de non-événementiel (não-factual) à historicidade de que não temos consciência enquanto tal. Por outro lado, a historicidade exclui a idealização da história, a existência da História com H maiúsculo: “Tudo é histórico, logo a história não existe” [...]”( Idem, p.159)

A essa provocação do historiador francês Jacques Le Goff o autor da citação acima um outro historiador, mas dessa vez alemão, Jörn Rüsen poderia revidar:
“O pensamento histórico torna-se especificamente cinetífico quando segue os princípios da metodização, quando submete a regras todas as operações da consciência histórica, cujas pretensões de validade se baseiam nos argumentos das narrativas nas quais tais argumentos são ampliados sistematicamente. A razão, tal como foi reivindicada pela história como ciência, fundamenta-se nesse princípio da metodização. É com base nos princípios que tornam o pensamento histórico racional, isto é, que definem seu caráter argumentativo-fundante, que a história se constrói como especialidade [...]
Minha questão está, portanto, na investigação do modo pelo qual se constituem os fatores da matriz disciplinar, quando a história é tratada como ciência. Essa constituição se dá, quando os vários fatores se orientam pelo princípio da metodização do pensamento histórico e da ampliaçào do caráter argumentativo da sua fundamentação. Em outras palavras: a construção da ciência histórica compreende-se como impregnação de sua matriz pelo princípio da metodização. Não é no porquê da definição do pensamento histórico por interesses, ideias, métodos e formas que está o ponto de partida da sua interpretação, mas sim no como isso acontece”. (Rüsen, Jörn. Reconstrução do Passado, Brasilia: Ed. UNB, 2007, p.12-13)

É certo que Le Goff e Rüsen convergem para um ponto em comum, o pensamento histórico possui uma historicidade que está associada a tres fatores a construção no pensamento ocidental de tres fatores: racionalidade, intencionalidade, temporalidade .

Para concluir essa breve apresentação, podemos então afirmar que, estudar história é compreender não só como os homens e mulheres viveram no passado, mas a forma como podemos e efetivamente reconstruimos, por meio operações racionais (metodo), essa experência passada, não em si mesma, mas como conhecimento mediado por documentos, registros, evidências, as chamadas fontes históricas. 

INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTÓRICOS - 1°/2011 (Atualizado)

Universidade Federal Fluminense.
CEG – ICHF – GHT
Introdução aos Estudos Históricos .
Profª Ana Maria Mauad


Objetivos:
v      Introduzir conceitos para a compreensão da História como forma de conhecimento crítico.
v      Identificar a relação entre história, memória e temporalidade.
v      Caracterizar os regimes de historicidade dos diferentes períodos da história da história.
v      Apresentar o lugar do documento na elaboração do conhecimento histórico.
v      Dominar as técnicas de estudo em história

I.O que é História?
v     As origens históricas da palavra e o seu caráter polissêmico.
v    História e os usos do passado: quem conta a história?
v    Introdução ao vocabulário histórico: memória, tempo e historiografia.

II. História da História: os diversos regimes de historicidade.
1.    História Clássica e o fundamento do mito
2.    Conhecimento histórico e representação do passado no pensamento ocidental

III. O Documento na História.
1.    Documento/monumento: o documento como prova e como representação.
2.    Observação histórica e a prática historiadora: narrar, interpretar ou explicar?
3.    Fontes históricas e o método crítico: a natureza diversa das fontes históricas e suas metodologias.

Dinâmica de trabalho:
Aulas expositivas; discussão de filmes;trabalhos em grupo feitos na sala e estudos dirigidos.
Avaliação:
Trabalhos feitos ao longo do curso (veja a lista, 10 pontos); uma resenha crítica do livro: Bloch, M. Apologia da História (ou o ofício de historiador), Rio de Janeiro: Zahar, 2001 (7 pontos). Três vistas Biblioteca Nacional, Arquivo Nacional e Museu Histórico Nacional cada visita um relatório no valor de 1,0 (cada visita que faltar aumenta o valor da resenha). Total de pontos na avaliação 20 pontos divididos por dois para dar a média final em 10,0.

Roteiro dos trabalhos:
Unidade I
Trabalho 1(1,0)
O que é história:
Debate e relatório sobre os filmes:
Narradores de Javé (2004), Eliane Caffé; Memórias do Cativeiro (LABHOI, 2006)
Para cada um dos filmes:
História; situação; personagens e lugares.
Para os dois filmes – comparar o filme ficção com o documentário sobre o papel do passado na construção da história hoje.

Trabalho 2 (1,0)
Usos do Passado
Albuquerque Jr., Durval M.de. História: a arte de inventar o passado, Bauru, SP: Edusc, 2007, Cap.2 (p.53-65).
Cardoso, Ciro F. S. “História e paradigma rivais”, In: Domínios da história, Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1997.
1.       Redigir um sumário contendo a idéia central do texto.
2.       Sistematizar em tópicos, de um parágrafo, os principais assuntos trabalhados.
3.       Comparar os argumentos de cada autor

Trabalho 3 (1,0)
Memória e história
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de.A História, cativa da memória? Para um mapeamento da memória no campo das ciências sociais, Revista do Instituto de Estudos Brasileiros/USP, São Paulo, v.34, p. 9-24, 1992. 
Resumo com o seguinte roteiro:
Apresentação do argumento do autor; divisão do texto em partes (pode estar de acordo com a divisão do autor); sintese de cerca de vinte linhas para cada parte.

Trabalho 4 (1,0)
O tempo na história
Elias, Norbert. Sobre o tempo, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, Introdução (p.7-33).
Fichamento segundo o modelo dado em sala

Trabalho 5 (1,0)
Regimes de Historicidade.
Hartog, François,  Regimes de Historicidade IN: http://www.fflch.usp.br/dh/heros/excerpta/hartog/hartog.html , capturado em 1/1/2008.
Apresente em um parágrafo os dois principais regimes de historicidade apresentados por Hartog e para cada um deles apresente três palavras-chave.

Trabalho 6 (1,0)
Le Goff, Jacques. “História”, IN: Memória e História, Campinas: Unicamp, 1990.
Resenha do texto de acordo com o modelo apresentado na aula.

Trabalho 7 (1,0)
Historiografia clássica
Finley, M. Mito, Memória e História, IN: Usos e Abusos da História, São Paulo: Martins Fontes, 1985, pp. 3-27.
O autor discorre sobre a possibilidade de um pensamento histórico na Grécia, concluindo que, neste momento, não se pode falar de história, tal como a concebemos modernamente. Tal tendência se explica a partir da elaboração, pelos gregos, de uma determinada relação com o tempo e, por conseguinte, com o passado. A idéia do trabalho é caracterizar a elaboração sobre o tempo e o passado na Grécia desenvolvendo, tal tarefa, a partir das noções de mito, memória e tradição. Portanto, atenção, toda a elaboração de como os gregos concebiam, o tempo e o passado, devem estar pautadas nas definições, operadas por eles, de mito, memória e tradição.      
Justificando  com isso, a afirmação acima apresentada  de que é impossível falar de história para a Antigüidade Clássica.

Trabalho 8 (1,0)
Le Goff, Jacques. Documento/Monumento, Enciclopédia Einaudi, Vol. 1, Lisboa, Casa da Moeda, 1985, pp.95-106.
Explique segundo a abordagem de J. Le Goff, as relações entre documento, monumento e a escrita da história

Trabalho 9 (1,0)
Porteli, A. A Filosofia e os FatosNarração, interpretação e significado nas memórias e nas fontes orais. IN: Tempo, Rio de Janeiro , vol. 1, n°. 2, 1996, p. 59-72.
Trabalho 10 (1,0)
Menezes, Ulpiano T. Bezerra de. “Fontes visuais, cultura visual, história visual. Balanço provisório, propostas cautelares”, Revista Brasileira de História, vol. 23, n° 45, julho de 2003. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882003000100002&lng=en&nrm=iso

domingo, 13 de março de 2011

Programa do Curso

Universidade Federal Fluminense.
CEG – ICHF – GHT
Introdução aos Estudos Históricos .
Profª Ana Maria Mauad.

Objetivos:
1.       Introduzir conceitos para a compreensão da História como forma de conhecimento crítico.
2.       Identificar a relação entre história, memória e temporalidade.
3.       Caracterizar os regimes de historicidade dos diferentes períodos da história da história.
4.       Apresentar o lugar do documento na elaboração do conhecimento histórico.
5.       Dominar as técnicas de estudo em história

I.O que é História?
¨     As origens históricas da palavra e o seu caráter polissêmico.
¨    História e os usos do passado: quem conta a história?
¨    Introdução ao vocabulário histórico: memória, tempo e historiografia.

II. História da História: os diversos regimes de historicidade.
¨    História Clássica e o fundamento do mito
¨    Conhecimento histórico e representação do passado no pensamento ocidental

III. O Documento na História.
¨    Documento/monumento: o documento como prova e como representação.
¨    Observação histórica e a prática historiadora: narrar, interpretar ou explicar?
¨    Fontes históricas e o método crítico: a natureza diversa das fontes históricas e suas metodologias.

Dinâmica de trabalho:
Aulas expositivas; discussão de filmes;trabalhos em grupo feitos na sala e estudos dirigidos.

Avaliação:
Trabalhos feitos ao longo do curso (veja a lista, 10 pontos); uma resenha crítica do livro: Bloch, M. Apologia da História (ou o ofício de historiador), Rio de Janeiro: Zahar, 2001 (7 pontos). Três vistas Biblioteca Nacional, Arquivo Nacional e Museu Histórico Nacional cada visita um relatório no valor de 1,0 (cada visita que faltar aumenta o valor da resenha). Total de pontos na avaliação 20 pontos divididos por dois para dar a média final em 10,0.

Roteiro dos trabalhos:
Unidade I
Trabalho 1(1,0)
O que é história:
Debate e relatório sobre os filmes:
Narradores de Javé (2004), Eliane Caffé; Memórias do Cativeiro (LABHOI, 2006)
Para cada um dos filmes:
História; situação; personagens e lugares.
Para os dois filmes – comparar o filme ficção com o documentário sobre o papel do passado na construção da história hoje.

Trabalho 2 (1,0)
Usos do Passado
Albuquerque Jr., Durval M.de. História: a arte de inventar o passado, Bauru, SP: Edusc, 2007, Cap.2 (p.53-65).
Cardoso, Ciro F. S. “História e paradigma rivais”, In: Domínios da história, Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1997.
1.       Redigir um sumário contendo a idéia central do texto.
2.       Sistematizar em tópicos, de um parágrafo, os principais assuntos trabalhados.
3.       Comparar os argumentos de cada autor

Trabalho 3 (1,0)
Memória e história
MENESES, Ulpiano T. Bezerra de.A História, cativa da memória? Para um mapeamento da memória no campo das ciências sociais, Revista do Instituto de Estudos Brasileiros/USP, São Paulo, v.34, p. 9-24, 1992. 
Resumo com o seguinte roteiro:
Apresentação do argumento do autor; divisão do texto em partes (pode estar de acordo com a divisão do autor); sintese de cerca de vinte linhas para cada parte.

Trabalho 4 (1,0)
O tempo na história
Elias, Norbert. Sobre o tempo, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, Introdução (p.7-33).
Fichamento segundo o modelo dado em sala

Trabalho 5 (1,0)
Regimes de Historicidade.
Hartog, François,  Regimes de Historicidade IN: http://www.fflch.usp.br/dh/heros/excerpta/hartog/hartog.html , capturado em 1/1/2008.
Apresente em um parágrafo os dois principais regimes de historicidade apresentados por Hartog e para cada um deles apresente três palavras-chave.

Trabalho 6 (1,0)
Le Goff, Jacques. “História”, IN: Memória e História, Campinas: Unicamp, 1990.
Resenha do texto de acordo com o modelo apresentado na aula.

Trabalho 7 (1,0)
Historiografia clássica
Finley, M. Mito, Memória e História, IN: Usos e Abusos da História, São Paulo: Martins Fontes, 1985, pp. 3-27.
O autor discorre sobre a possibilidade de um pensamento histórico na Grécia, concluindo que, neste momento, não se pode falar de história, tal como a concebemos modernamente. Tal tendência se explica a partir da elaboração, pelos gregos, de uma determinada relação com o tempo e, por conseguinte, com o passado. A idéia do trabalho é caracterizar a elaboração sobre o tempo e o passado na Grécia desenvolvendo, tal tarefa, a partir das noções de mito, memória e tradição. Portanto, atenção, toda a elaboração de como os gregos concebiam, o tempo e o passado, devem estar pautadas nas definições, operadas por eles, de mito, memória e tradição.      
Justificando  com isso, a afirmação acima apresentada  de que é impossível falar de história para a Antigüidade Clássica.

Trabalho 8 (1,0)
Le Goff, Jacques. Documento/Monumento, Enciclopédia Einaudi, Vol. 1, Lisboa, Casa da Moeda, 1985, pp.95-106.
Explique segundo a abordagem de J. Le Goff, as relações entre documento, monumento e a escrita da história

Trabalho 9 (1,0)
Porteli, A. A Filosofia e os Fatos:  Narração, interpretação e significado nas memórias e nas fontes orais. IN: Tempo, Rio de Janeiro , vol. 1, n°. 2, 1996, p. 59-72.
Trabalho 10 (1,0)
Menezes, Ulpiano T. Bezerra de. “Fontes visuais, cultura visual, história visual. Balanço provisório, propostas cautelares”, Revista Brasileira de História, vol. 23, n° 45, julho de 2003. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882003000100002&lng=en&nrm=iso.
 Introdução aos estudos históricos – 1º semestre 2011 – sala 403 – 68 horas – 17 aulas (14 presenciais e tres trabalhos de campo) -

Março
18 – Apresentação – aula sobre o significado de história e encaminhamento do trabalho 1
25 – Filme 1 e sistematização em sala apresentação dos resultados

Abril
1 – Filme 2 e sistematização em sala com apresentação dos resultados  - trabalho 1 para entregar – no dia 20/05
9 – Unidade 1 – texto do ciro e do Durval e trabalho 2 para entregar no dia 20/05
16 – Unidade 1 – memória texto do ulpiano – trabalho 3 para entergar no dia  20/05
22 – feridado
29 – sobre o tempo – trabalho 4 para entregar no dia 2/05

Maio
6 – Unidade 2 Hartog, filosofias da história, história da história, trabalho 5 para entregar no dia 10/06
13 -barcelona
20 – Entrega dos trabalhos da unidade 1 – História e regimes de historicidade – trabalho 6 para entregar no dia 10/06
27 – Unidade 3 – documento moumento em sala de aula trabalho 7 para entregar no dia 24/06

junho
3 – Unidade 3 fontes orais – 24/06
10 – Entrega dos trabalhos da unidade 2 Unidade 3 fontes visuais – 24/06
17 – História e literatura
24 – História e documentos pessoais

Julho
1 – entrega das resenhas
8 – Conclusão do curso